PLAGIAI – Teatr’UBI

A peça que a companhia de teatro amador da Universidade da Beira Interior apresentou no último mês, na cidade da Covilhã, poderá ser considerada por muitos, no mínimo curiosa.
Teatro sem diálogo ou monólogo era para mim algo completamente desconhecido. Nunca antes tinha visto uma peça que se baseasse apenas na vertente visual, mas como há sempre uma primeira vez para tudo, decidi arriscar e aproveitar a borla que o Teatr’UBI ofereceu, para ir assistir ao seu mais recente trabalho.
Os 7 pecados mortais são o tema e para quem não os consiga identificar, será difícil de compreender a peça na íntegra. Com alguns actores que já andam nestas andanças a já muitos anos, que são apenas amadores porque a cultura em Portugal ainda não é meio de sustento para ninguém, tiveram mais uma vez uma performance formidável, o Gabriel e a Mafalda, que os vejo já representar desde o meu tempo de Liceu, estiveram simplesmente excelentes. Mas o que tenho que realçar nesta peça é o extraordinário trabalho de luz e vídeo, que fizeram com que o trabalho dos actores fosse muito facilitado. Desde já os meus parabéns a quem os controlou, conseguiu dar o impacto que a peça necessitava. Não se notavam mudanças bruscas de luzes e o vídeo enquadrava-se na perfeição com a representação da actriz. A luz e o vídeo, foram sem duvida o ponto forte desta apresentação do Teatr’UBI.
Mas como em tudo, não há sim sem se não. Mas desta vez o se não, nunca esteve no palco, mas sim sentado, na assistência para ser um pouco mais especifico. Já devem ter percebido que o ponto negativo desta minha noite de teatro, foi mesmo o publico que me rodeava.
Aquele que por vezes é considerado elemento fundamental, foi desta vez o verdadeiro ponto negro.
“É favor desligarem os telemóveis” pediu uma senhora em voz off, o resultado do aviso foi passado alguns minutos telemóveis começarem a tocar (para cumulo uma das pessoas, levantou-se e saiu para atender). Uma cadeira abre com algum barulho, motivo de risada para todo o grupo que estava nas imediações. O actor aparece como Deus o enviou ao mundo, momento de risada global das raparigas que se encontravam atrás da minha pessoa.
Foram coisas como estas e o burburinho constantes que me fez enervar profundamente e bradar aos Céus : “Por favor não voltem a oferecer bilhetes, a quem não sabe vir ao teatro!!!”.

Ficha Técnica

Co-Produção TeatrUBI & ASTA

Criação e Encenação António Abernú

Direcção de Produção
Rui Pires

Dispositivo Cénico António Abernú & João Cantador

Som e Luminotécnica
João Cantador

Guarda Roupa Sérgio Novo

Design Gráfico Sérgio Novo

Fotografia
Sede Púrpura

Vídeo Paulo Santos & Pedro Graça

Interpretação Gabriel Travasso, Graça Faustino, Mafalda Mourão, Rui Pires & Sérgio Novo

1 Comentário

  1. Weller Marcos said,

    Setembro 8, 2007 às 11:26 pm

    Lá (Portugal) como cá (Brasil) o incomodo de ter que conviver com a euforia dos novos ricos e seus aparelhos é uma lástima, principalmente durante espatáculos teatrais. Mas o comentário, a crítica e a orientação sobre a peça está ótimo. Pudemos eliminar algumas dúvidas ao correr da leitura. A crítica sempre deve estar fundamentada na verdade e esta nos parece autência e sincera.
    Weller Marcos


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